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Terça-feira, 10 de abril de 2007
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| Diretora de escola sai em defesa de imigrantes ilegais |
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Texto: Claudia Cândido
A escola Rampal localizada em Belleville, um bairro popular de Paris, vivenciou no final do mês de março um verdadeiro conflito por conta das crianças de pais sem título de “sejur”, ou seja, sem direito de permanecer no território francês.
Cerca de 2.000 pessoas entre parentes de alunos, professores, sindicatos, eleitores, imigrantes em situação irregular se manifestaram, solidariamente, contra a interpelação e detenção arbitrária da diretora da escola Rampal, Valerie Boukobza, que esteve detida por ter saído em defesa de algumas crianças da escola na qual trabalha.
Tudo começou quando alguns policiais começaram a fazer um controle de identidade no Boulevard de Belleville, próximo as quatro escolas primárias do bairro no horário de saída dos alunos. O alvo eram os país ou responsáveis em situação ilegal.
Os militantes da RESF (Rede de Educação sem Fronteiras) compareceram a fim de demonstrar seu apoio, já sensibilizados na véspera pela interpelação de policiais no mesmo local onde a tia de um aluno em situação irregular fôra interpelada.
Por volta das 18 horas os policiais teriam dado início ao controle e interrogaram um chinês que se encontrava no interior de um bar sem título de sejur. O senhor teria ido buscar seus netos na escola. A RESF, juntamente com parentes de alunos se colocou na frente do veículo da polícia na qual se encontrava o avô chinês.
A tensão aumentou e a confusão começou. Sob os olhos das crianças os policiais atiraram jatos de gás lacrimogêneo que se espalharam pelo ar.
A diretora da escola, no meio dessa agitação, decidiu proteger os pequenos dentro do estabelecimento. Enquanto os policiais abandonavam a confusão ela levou consigo o avô das crianças chinesas.
Conforme divulgou a polícia, Valérie teria insultado as forças de ordem. Por conta disso, alguns dias depois da confusão ela recebeu uma intimação para ir à delegacia onde ficou retida durante 7 horas por ultrajes e degradações. Tudo pelo fato de ela ter tentado intervir no sentido de proteger seus alunos. "Eu cumpri meu dever de proteger as crianças e sua família. E essa resistência pacífica é uma forma de opressão. Não me arrependo de nada," disse ela em um comunicado.
Para que uma criança possa freqüentar a escola basta estar em idade escolar e fornecer um endereço domiciliar. Está dentro dos direitos humanos universais de cidadania o direito à educação.
É difícil precisar o número exato de crianças que se encontram em situação irregular na França. Segundo a circular do ministro Nicolas Sarkozy, do dia 13 de junho de 2006, um total de 6.924 adultos parentes de crianças sem papéis foram regularizados. Considerando que cada família tenha 1,5 de crianças, isso significa que cerca de 10.000 a 12.000 crianças com menos de 18 anos poderão continuar a freqüentar as escolas francesas.
Atualmente a estimativa é que um pouco mais de 20.000 crianças de famílias sem título de sejur continuam a comparecer aos estabelecimentos escolares. Entretanto, elas correm o risco de não prosseguir o ano escolar caso seus parentes recebam carta de expulsão, ou seja, reconduzidos a fronteira. |
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